Autoanálise. Autocura.

Consigo lidar com os limites da mente, do espírito. Basta uma dose de humilde e a firme decisão de aceitar a realidade. Tenho relativo controle sobre o campo psicológico. Invento esperanças, alimento ilusões, cancelo projetos, reinvento motivos para viver. Leituras e escrituras ajudam na cura das feridas emocionais. Meditar, conversar, dialogar, … procedimentos que aliviam as decepções e podem fortalecer meu senso de realidade.

No mundo físico, os limites são mais persistentes, mais teimosos. Mostram força e colocam as soluções depois do horizonte, além das minhas forças. A chuva, a seca, o calor, o frio, o vento, o corpo, … Os elementos naturais seguem o ritmo eterno e fico à mercê deles. Analiso meu corpo, o transportador de minha mente, o habitat de meu espírito. Tento otimizar os movimentos, administrar o funcionamento. Com dificuldades, porque meu corpo envelhece depressa, degenera. Ao contrário da mente, que se renova a cada incentivo, a cada estímulo, a cada carinho recebido. Enquanto o corpo definha inexoravelmente.

Autoanálise. Autopreservação. Autofinamento. A mente ativa governando um corpo em constante redução, enfraquecido. Busco meu fim. No fim, serei muitas ideias em um corpo frágil. Essa será a mais perfeita das imperfeições. A perfeição possível.

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VIZINHANÇAS

Ao falarmos de ‘vizinhos ruins’, talvez, estejamos falando do desconforto que sentimos em relação a divergências.

Em geral, somos muito defensivistas. E irracionais, também. Ou seja, agimos emocionalmente, sob perturbação moral. Indignados porque os outros seguem diferentes padrões comportamentais ou porque mantêm hábitos antigos ou muito inovadores. Como diz Anna Maria, minha mãe: “Os outros, ou são muito jovens ou estão muito velhos; eu é que estou na idade certa.”

Uma coisa é um vizinho mau; outra, um mau vizinho. Há, é claro, uma minoria de pessoas maldosas em toda parte. Há predadores e há belicosos. Inclusive entre plantas e animais.

No entanto, a maioria das pessoas quer acertar, colaborar, cooperar e viver em paz, seguindo as regras do jogo social. Sem prejudicar ou tirar vantagens. A maioria das pessoas prefere viver em comunidade e contribuir para a harmonia produtiva.

Consideramos , possivelmente, ‘maus vizinhos’ aqueles que pensam de forma diferente que a nossa; aqueles que têm outros hábitos, outros costumes e seguem outra tábua de valores.

Com pequena dose de tolerância, poderemos permitir que os outros pensem e ajam de forma autônoma, no trabalho, na religião, na família, na alimentação e na filosofia de vida.
Afabilidade, cortesia e generosidade podem gerar reflexos. Ou seja, se formos afáveis, corteses e generosos, aumenta a chance e que os outros sejam também cordiais conosco.

Mesmo que nós tenhamos a boa intenção de ajudar, podemos ser considerados invasivos, metidos, prepotentes, agressivos.
Devemos nos esforçar para entender as reações dos ‘incomodados’ que nos incomodam.

As disputas de poder permeiam todas as relações humanas. Mais fortemente, as relações conjugais: sujeitas ao jugo ‘amoroso’. Estão, também, presentes nas relações familiares. Aparecem menos, mas de forma mais diversificada, nas relações de vizinhança e de comunidade.

Enfim, a vida é uma luta por espaços e pela sobrevivência física, espiritual e/ou social em nosso habitat.

SOCIALISMOS BRASILEIROS

fr. socialisme (1831) ‘doutrina de organização social que privilegia o coletivo em detrimento do indivíduo’ (Houaiss)

O Brasil é pátria do socialismo político que ilude e fanatiza para conquistar, aumentar e manter poderes; uma associação de companheiros atrelados por sigilos.

O Brasil é pátria do socialismo capitalista que copia as piores ideias neoliberais, negociando a regularização do mercado com suculentas doses de assistencialismo.

O Brasil é pátria do socialismo sindical das assembleias simbólicas e dos líderes embusteiros, que usam a representação para conquistar vantagens pessoais.

O Brasil é pátria do socialismo empresarial, parque de barganhas industriais, comerciais e/ou burocráticas, com obsolescência programada e sonegações espertas.

O Brasil é pátria do socialismo financeiro que distribui dinheiro para comprar quem se vende; prega a igualdade enquanto pratica o individualismo e constrói pirâmides de poder.

O Brasil é pátria do socialismo jurídico que alimenta o crime e cria empregos, tribunais e presídios; uma classe social privilegiada com orçamento próprio e altos salários.

O Brasil é pátria do socialismo esportivo de vitórias jurídicas e de conquistas financeiras; campo para lavagem de fortunas ilícitas e para disputas por vaidade.

O Brasil é pátria do socialismo religioso de crenças que criam deuses para iludir e templos para abrigar a fé dos incautos, na certeza da eterna impunidade.

O Brasil é pátria do socialismo orgiástico na busca coletiva dos prazeres extremos do abuso sexual, do consumo de drogas e da ração para obesidade.

O Brasil é pátria do socialismo rodoviário que privilegia a indústria automotiva e a comercialização de veículos usados, em detrimento do transporte coletivo.

O Brasil é pátria do socialismo medicamental das máfias brancas, dos trustes farmacêuticos, das epidemias inventadas e dos planos doentes.

O Brasil carece de:

Socialismo social (de cidadania igualitária)

Socialismo governamental (de administrações colegiadas)

Socialismo cultural (com socialização das ideias)

Socialismo educacional (de acesso à Educação)

Socialismo produtivo (pela valorização do trabalho)

Socialismo natural (de respeito à Natureza)

Socialismo comunitário (da convivência pacífica e ordeira)

Socialismo ético (da consciência e do respeito mútuo)

Socialismo saudável (saúdes social, psíquica e física)

Socialismo feliz (de bem-estar e de felicidade)

Pílula de curiosidade.

Optei por publicar algumas linhas do romance que estou escrevendo, como forma de compartilhar meu trabalho.

Peregrino adentrou à cabana e depositou, sobre o banco, as coisas que carregava. Abriu a arca de madeira e pegou um livro bem usado.

— Aqui, nesse papel, tá escrita uma história…

Foi a primeira vez que Jão viu um livro. Nem imaginava que as palavras se escondiam ali. No entanto, só que foram abertas as páginas, as palavras começaram a voar pela boca do homem. Parecia que as palavras entravam pelos olhos e saiam pela boca. “Joãozinho e Maria …”

ALEGRIAS DE MARIA POETA

Nasceu de parto natural, sem alaridos;

porém, determinada, com olhos curiosos.

Em homenagem à virgem-mãe,

recebeu o nome Maria das Dores.

 

Durante a infância serena,

colheu olhares, dizeres e belezas;

cresceu sem medos e sem dores;

adorava brincar, cantar e sorrir:

se fez Maria das Alegrias.

 

As mãos aprenderam a semear…

flores, alimentos, amizades, …

em comunidade, fraternalmente.

 

Encontrou Geraldo ou se encontraram…

No Amor à Natureza cultivada a dois,

geraram Fernanda e Antônio,

formados em sociabilidade e nas Ciências.

 

Vendo a família encaminhada e

satisfeita com o trabalho comunitário,

encontrou espaço para dar asas à arte

que aguardava há anos para alçar voo.

 

Semeou, então, versos de paz e de vida:

musicou poesias e cantou sonhos;

defendeu as plantas e as aves;

se fez voz dos agricultores,

dos produtores de alimentos e

dos preservadores da Natureza,

das matas e das fontes de água.

 

Avessa à politicagem,

Maria das Alegrias prefere

viver entre os humildes,

valorizar a vida comunitária,

plantar e cultivar amizades,

estando sempre disponível

para ajudar e compartilhar.

 

Agricultora dedicada,

com mãos de fada,

desperta as sementes,

multiplica das plantas,

cultiva flores admiráveis.

 

A maioria das canções

nasceu durante o trabalho

nas lavouras ou na cozinha;

enquanto as suas mãos plantavam

e colhiam frutos doces e saudáveis

ou preparavam refeições deliciosas,

Maria das alegrias ia cantarolando:

“Eu sonho encontrar um lugar pra viver”,

“o mundo vai te ensinar a ser livre”,

“Jaguaruna … as dunas douradas …

um povo simples, trabalhador e cortês”,

“Aprendi na roça a plantar e a colher”,

“a vida na roça não tem depressão”,

“Mãe … quantas noites sem dormir…

perdoa se não fui a filha que você sonhou”,

“A paz e o amor só dependem de nós”.

 

As letras e as melodias

de Maria das Alegrias

se fizeram canções

na voz e na harmonia

de jovens cantores.

 

Maria das Alegrias

voou em discos de valor.

NOME DE ESTRADAS, RUAS , PONTES, TÚNEIS, …

Em rodovias, os políticos colocam

o nome de líderes paternalistas

para que possamos transitar sobre eles;

pisar, escarrar e jogar lixo neles.

 

Por alguma ironia vaginal,

os homens nomeiam túneis e pontes

em homenagem a mulheres

idôneas, dignas e castas,

para que sejam penetradas ou

para que possam passar por cima delas.

 

E, para evitar e/ou estar a salvo

de reações dos violentados,

estabeleceram em lei

que só podem ser usados,

nas placas de trânsito,

nomes de pessoas mortas.

 

São vinganças póstumas.

ENDEUSADORES DE DEUSES

Medicina é Ciência; culinária, não.

As duas são fundamentais para a saúde da vida humana.

Mas… por que uma é ciência e a outra não é?

Seria por causa do dinheiro?

Ou do monopólio assegurado por barganhas políticas?

Seria resultado do corporativismo médico favorecido pelo obscurantismo da pajelança clínica?

Ou da dificuldade de controlar e de proibir que o povo invente e use suas ciências livremente?

Quanto do nosso medo de morrer empodera os médicos (que, historicamente, são os primeiros a morrer)?

Como acreditamos naqueles que não salvam nem a si mesmos?

Ah! Culinária e nutrição são artes.

Medicina seria a arte de privilegiar uma elite?

Como deixamos de valorizar nossas sabedorias para honrar e cultuar o ‘saber científico’?

Por qual motivo deixamos de ver, analisar e perceber quais são os profissionais que cuidam da saúde e quais os que cultivam as doenças?

Há médicos e médicos… senhores dos medos.

Culinária não é ciência porque muitos sabem colher e preparar o que comem? Nutrição não é ciência porque todos nós sabemos comer?

“Arte = habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional” Filosofia – Platão