PAZ ULTERIOR

                  PAZ ULTERIOR

A humanidade encontrou a Paz no Pomar.

Quando … chegou a serpente… do prazer e …

comeu … a fruta e a árvore.

A humanidade abusou da abundância…

e esqueceu de viver

…  em harmonia com a Natureza.

A humanidade depositou a Paz num altar…

BEM ALTO, acima de suas mãos pedunchas.

Ofertou dádivas sem a aceitação do outro como ele é.

Fingiu penitências, arrependimentos ‘da boca pra fora’,

enquanto continuava egoismando vantagens…

Emendou petições para suprir omissões não confessadas.

Rezou fraternidades com palavras enfeitadas

e, ao mesmo tempo, explorou os irmãos.

Elogiou o amor e cantou o aconchego da família,

praticando, no entanto, a doutrina do egoísmo.

Ao invés de descansar, usou as energias da ganância

e as armas da persuasão para conquistar pessoas.

Fez caridades visíveis, enquanto, sorrateiramente,

empilhava poderes e construía superioridades.

Se fez fera para defender,

com unhas e dentes,

sua paz particular…

A humanidade criou moedas para comprar paz

e acabou escrava do dinheiro,

pelo qual luta e, por ele, é enlutada.

Ergueu moradias com seguranças de castelo,

dentro de muralhas e de cercas eletrificadas.

Moeu pedras e extraiu cimentos,

que poderiam concretizar pontes

sobre as dificuldades – abraços horizontais –,

mas que foram usados para elevar torres

– distanciamentos verticais –,

que arranham o céu e o Céu.

Economizou diálogos

entre os semelhantes e entre os diferentes;

propagou consumismos, avarezas e intrigas.

A humanidade escreveu a paz nos dicionários,

mas esqueceu de ficar com uma cópia para uso dela.

E, quando foi buscar significados,

encontrou uma ‘paz de palavras’.

Esculpiu estátuas para todos os tipos de paz;

esqueceu, porém, de dar, ao outro,

a mão direita, a mão esquerda e a Terceira Mão.

A humanidade plantou alimentos e acumulou capital,

para engordar o corpo e o patrimônio.

Deixou de adubar o espírito, todavia,

cobriu a pele e os pelos com maquiagens exotéricas.

Inventou fábricas de fantasias,

e semeou ‘meios de comunicação’,

para produzir invejas e alcançar ‘momentos de glória’.

Deixou de conversar com o contíguo

para dopar-se nos mexericos intangíveis das ‘redes sociais’.

A humanidade ergueu igrejas

imponentes, luxuosas, com pináculos ao Altíssimo

e vendeu fé a dízimos…

Acreditou em profetas de verdades cegas

que organizavam campanhas para vencer instituições rivais.

Traduziu o evangelho em discursos impraticados,

palavras fariseas para iludir o povo.

Criou ídolos na ilusão de que seriam deuses esportivos,

deuses acadêmicos, deuses científicos, deuses …

Comandou campanhas de alfabetização ideológica

e vestiu o ‘ritmo eterno’ com mantos (ir)reais.

A humanidade abandonou a vida simples, natural,

e a convivência informal.

Estabeleceu regras para as lutas

entre pessoa e pessoa ou entre grupo e grupo,

declarando os ‘direitos humanos’ de garantir

que cada qual possa defender a ‘paz verdadeira’.

Esqueceu que a Paz habita o desapossamento

e se alimenta de humildade e de gratidão.

Quando a humanidade praticar

os discursos utópicos,

lançando dinheiro ao inferno

e transformando a cobiça

em aceitação de si mesmo,

se conformando com o que de fato é,

iniciará a tão sonhada PAZ

sem precisar impor a ‘sua’ paz

a todos os seres vivos.

Quando cada pregador derreter os pregos

em formato de bandejas,

contribuirá para a comunhão da Paz.

Então, a Humanidade será Deus

e estará em todos os lugares.

Sítio Itaguá, 04:18 h – 31julho2016

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