JOGOS SEXUAIS

Os rebanhos humanos seguem em busca de saciedade.

E, saciados, mantêm, na lembrança, a sensação do prazer…

sentido ao saciar a fome, a vaidade e os desejos.

 

O prazer norteia a marcha dos rebanhos que buscam

alimentos para satisfazer o corpo,

emoções para satisfazer a libido,

poderes para satisfazer o orgulho ou

dinheiros para comprar alimentos, emoções e poderes.

 

Saciadas as necessidades naturais,

os humanos criam artificialmente novas necessidades

para obter repetidas oportunidades de sentir prazer,

comendo, acariciando, comprando, subjugando e dominando.

 

O saciamento de necessidades, de desejos e de vaidades,

entretanto, cobra altos preços. Nada é de graça.

Quem pode saciar uma necessidade aproveita o ensejo

para capitalizar espaços de dominação e cotas de poder.

 

Talvez, a necessidade de pertencimento

seja a força que une e comanda a massa humana

que segue atrás de bandeiras de luta

desenhadas com ingenuidade e/ou má-fé.

 

Por detrás de slogans, palavras-ônibus e discursos

– hinos instantâneos e efêmeros –

existe um emaranhado de correntes

que ovelhas e cordeiros ignoram ou fingem não ver.

 

Cidadania, democracia, direitos humanos, preconceito,

assédio sexual, racismo, desigualdade social, trabalho escravo, …

os catecismos conseguem uniformizar a marcha do rebanho.

Cantando a mesma canção, ovelhas e cordeiros

se sentem seguros para caminharem na mesma direção.

 

Dentre as estratégias usadas pelo comportamento tribal,

está a cortina que encobre os jogos sexuais.

 

Robôs conduzidos por inteligência artificial

estão imunes a atrações sensuais,

hormônios provocadores, agressões físicas e assassinatos.

Seres humanos – por enquanto – ainda agem e reagem

por estímulos, excitações, provocações e artimanhas sensoriais.

 

É ingenuidade ou hipocrisia se esconder

atrás de ondas sociais ou de discursos superficiais

sem analisar as relações lógicas de causa-efeito

que ocorrem na fisiologia dos corpos.

 

As ondas moralistas se assemelham a religiões politeístas

com deuses virtuais instáveis e sacerdotes eventuais

que usam e dominam as ferramentas eletrônicas para subjugar

instintos, sentimentos, ciclos naturais e eventos biológicos.

 

Acondicionam os fenômenos reprodutivos

em fôrmas ideológicas anônimas e massacrantes:

trituram os grãos para formar uma massa

de aspecto aparente uniforme.

 

Usam a mídia e por ela são usados.

 

As árvores que expõe flores para as abelhas polinizarem

e que geram frutos com sementes férteis distribuídas pelas aves

devem ser submetidas às vontades humanas,

produzindo lucros para o mercado capitalista.

 

Manipulam as videiras para produzir uvas sem sementes

durante todo o transcurso anual e em todas as regiões;

negam o convívio de casais de animais em primavera:

confinam, inseminam, engordam e abatem.

 

Escravizam animais e vegetais ao deus Consumo,

usando engenharias genéticas e transgenias.

 

As pessoas devem controlar seus hormônios e desejos,

fingindo desconhecer as reações naturais do próprio corpo,

como se as glândulas femininas não liberassem estrogênio

e as glândulas masculinas não liberassem testosterona;

esses odores devem ser abafados com perfumes potentes.

 

Porém, a indústria e o comércio podem livremente

explorar a moda baseada em atrativos sexuais e

obter lucros usando imagens e imaginações

dos próprios consumidores fanatizados, que são

o princípio e o fim dos processos consumidores.

 

A violência visível pode encobrir

a violência simbólica e a manipulação,

sejam elas conscientes, intencionais ou ingênuas.

 

Muitos buscam gozar prazeres e tirar vantagens

sem compensar as vítimas em ambos os lados da guerra.

Os espertos usam os mantras para ganhar palco

e para cobrar indenizações pelas reações alheias,

se fazendo de vítimas dos jogos sexuais de iniciativa própria.

 

Sítio Itaguá, das 03:08 às 04:10 horas do dia 01jan2018.

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